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São Martinho de Porres

Terça-feira, 03 Novembro 2020por Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.Visualizações : 2133

03 11 S. Martinho de Porres Martinho de Porres, é também conhecido como Martinho de Lima, nasceu na cidade de Lima no Perú a 9 de Dezembro de 1579 e faleceu na mesma cidade em 3 de Novembro de 1639. S. Martinho de Porres foi um religioso e santo peruano.

S. Martinho de Porres era filho ilegítimo de João de Porras, nobre espanhol pertencente à Ordem de Alcântara e de Ana Velásquez, uma negra alforriada. 

Ainda na infância S. Martinho de Porres foi reconhecido pelo pai, bem como a sua irmã Joana, tendo ambos sido levados para Guayaquil, onde ocupava um cargo na administração local. Quatro anos depois, o pai de S. Martinho (de Porres) foi nomeado governador do Panamá, pelo que enviou o filho à mãe, em  Lima, deixando a filha sob os cuidados de outros parentes.

Martinho de Porres tornou-se aprendiz de Mateo Pastor, que exercia o ofício de cirurgião, dentista e barbeiro. Foi ali que o jovem mestiço, Martinho de Porres, aprendeu os rudimentos de medicina, que depois lhe seriam tão úteis no convento.

Aos 15 anos, S. Martinho de Porres resolveu dedicar-se à vida religiosa, tentando entrar num convento da Ordem de São Domingos, o que não foi fácil dada a sua condição de pobre e mestiço. Foi no convento de Nossa Senhora do Rosário, em Lima, que Martinho (de Porres) quis entrar na qualidade de doado, isto é, quase escravo, aceitando servir, não como frade, mas como irmão cooperador, o lugar mais baixo na hierarquia da Ordem. Comprometeu-se a servir toda a vida, sem nenhum vínculo com a comunidade, e com o único benefício de vestir o hábito religioso.

Após o primeiro ano de prova, S. Martinho de Porres recebeu o hábito de cooperador. Mas isso não agradou ao orgulhoso pai, de quem levava o sobrenome. Dom João pediu aos superiores dominicanos que recebessem Martinho, de tão ilustre estirpe pelo lado paterno, ao menos na qualidade de irmão leigo. Ora, isso era contra as constituições da época, que não permitiam receber na Ordem pessoas de cor. O Superior quis que o próprio Martinho decidisse. “Eu estou contente neste estado e é meu desejo imitar o mais possível a Nosso Senhor, que se fez servo por nós”. Tal atitude de S. Martinho de Porres encerrou a questão, sendo que o santo continuou a servir o convento como cooperador.

S. Martinho (de Porres) estava encarregado da enfermaria do convento e auxiliava todos quantos se lhe dirigiam, fossem seus irmãos da comunidade, fossem pessoas da cidade. Além de cuidar da enfermaria, S. Martinho de Porres varria todo o convento, cuidava da rouparia, cortava o cabelo dos duzentos frades, e era o sineiro, dispensando ainda de seis a oito horas por dia à oração.

Quando uma epidemia atingiu Lima, no convento do Rosário, em Lima sessenta religiosos ficaram enfermos e muitos estavam numa seção fechada do convento. São  Martinho teria passado a portas fechadas para cuidar deles, um fenómeno que encontraria resistência. Martinho de Porres levava doentes para o convento, até que o Superior provincial, alarmado com o contágio, proibiu-o de continuar a fazê-lo. Sua irmã Joana, que morava no país, ofereceu sua casa para alojar todos aqueles que a residência do religioso não poderia acolher. Um dia, S. Martinho (de Porres) encontrou na rua um pobre índio, que sangrava até a morte por causa duma punhalada, e levou-o ao seu próprio quarto. O Superior, quando soube tudo isto, repreendeu o santo por desobediência. O Superior foi extremamente surpreendido pela sua resposta: "Perdoa o meu erro, e por favor me instrui, porque eu não sabia que o preceito da obediência se sobrepõe ao da caridade." Então o Superior deu-lhe liberdade para seguir as suas inspirações posteriormente no exercício da misericórdia.   

S. Martinho de Porres tinha uma horta na qual ele mesmo cultivava as plantas que utilizava para as "suas medicinas". Estando doente o Bispo de La Paz e de passagem por Lima mandou que chamassem Frei Martinho (de Porres) para que o curasse. O simples contato da mão do santo no seu peito livrou-o da grave moléstia que o levava ao túmulo. S. Martinho de Porres foi um precioso amigo e colaborador de Santa Rosa de Lima e de Juan Macias, igualmente dominicanos.

Além de todas essas atividades, Martinho (de Porres) saía também do convento para pedir esmolas para os mais necessitados. Martinho (de Porres), com o corpo gasto pelo excesso de trabalho, jejum contínuo e penitência, faleceu pouco antes de completar 60 anos de idade, em 1639.

S. Martinho de Porres foi beatificado em 1837 pelo Papa Gregório XVI e canonizado pelo Papa João XXIII em 1962.

S. Martinho de Porres é o padroeiro dos barbeiros e dos cabeleireiros.

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